
Como para os primeiros filósofos o problema filosófico por excelência era a questão cosmológica, foram chamados de físicos, naturalistas ou cosmólogos.
Também Heráclito, em quem este trabalho será estruturado, escreveu um livro intitulado “Sobre a Natureza”, do qual restam alguns fragmentos.
Heráclito nasceu em Éfeso, na Ásia Menor, entre os séculos VI e V a.C. De temperamento esquivo e desdenhoso, desprezava a multidão e os falsos sábios, criticava a tradição literária, a religião e a realidade política da cidade. Por isso, para evitar que pessoas ignorantes o procurassem, escreveu sentenças de modo obscuro e no estilo de oráculo, recebendo por essa razão o apelido de “Obscuro”. Retirando-se do meio dos homens, pôs-se a alimentar de ervas nas montanhas, mas precisou voltar à cidade para tratar de hidropsia, doença da qual morreu.
O que mais impressionou Heráclito não foi a experiência do múltiplo e sim do devir. Para ele tudo está em grande transformação: o mundo, o homem e as coisas que a cada instante vão se modificando.
“Em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo, nem substância mortal tocar duas vezes na mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança dispersa e de novo reúne, compõe-se e desiste, aproxima-se e afasta-se” (Fragmento 91).
O devir ao qual tudo está destinado caracteriza-se pela alternância de contrários, em constante guerra. Por isso dizia Heráclito: “O contrário é convergente e dos divergentes nasce a mais bela harmonia, e tudo segundo a discórdia” (Fragmento 8).
E ainda: “O combate [entre opostos] é de todas as coisas pai, de todas rei” (Fragmento 53).
A idéia de Logos que estava somente implícita nos milesianos encontra expressão em Heráclito: “Pois uma só é a coisa sábia: possuir o conhecimento que tudo dirige através de tudo” (Fragmento 41).
E embora fosse um físico, abre uma pequena fresta para a idéia da imortalidade da alma: “Limites de almas não os encontrarias, todo caminho percorrendo; tão profundo logos ela tem” (Fragmento 45).
Podemos ainda opinar sobre a possibilidade de Heráclito ter sido influenciado pelo orfismo, por causa de alguns fragmentos que podem justificar a trasmigração das almas, porém não se pode afirmar com certeza a conexão entre sua filosofia da physys e as crenças órficas.
Fragmentos transcritos do livro:
PRÉ-SOCRÁTICOS. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores)
Bibliografia:
MONDINI, Battista. Curso de Filosofia: os filósofos do ocidente. 4.ed. São Paulo: Paulinas, 1981. V.1.
PRÉ-SOCRÁTICOS. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores)
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulinas, 1990. (Coleção Filosofia). V.1.