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30 agosto 2012

As cotas e o desafio da educação

Dentre as muitas críticas que tenho lido a respeito da adoção de cotas para estudantes oriundos de famílias de baixa renda, dois argumentos parecem ser os mais razoáveis e, sem dúvida, os mais utilizados. O primeiro sustenta que separar vagas em universidades públicas para uma parcela de desfavorecidos da sociedade é uma medida injusta, diminuindo as chances de quem não se enquadra na categoria "desfavorecido" de alcançar uma das já disputadas vagas nas instituições federais. O segundo argumento faz uma crítica à qualidade do ensino básico público oferecido aos brasileiros, afirmando que se a educação pública fosse excelente não haveria necessidade de cotas. Assim a suposição é de que o governo deveria investir mais na educação básica se quiser incluir estudantes de baixa renda.

18 janeiro 2012

Veja e a Filosofia

Minha última postagem foi sobre os erros argumentativos do colunista Reinaldo Azevedo da revista Veja. Minha intenção aqui não é repetir meu posicionamento em relação ao desprezo daquela mídia para com a disciplina a que me dedico como professor e pesquisador (para ler clique aqui). O pensamento da revista sobre a "absurdidade" da lei de 2008 que fez a Filosofia retornar ao ensino médio depois de 37 anos reflete um desconhecimento do que seja filosofar. É claro que esse desconhecimento existe em todos os pais de alunos que não tiveram filosofia em sua educação formal, existe até mesmo em professores de outras disciplinas que disputam espaço no currículo ou que acabam lecionando filosofia no lugar dos licenciados formados na disciplina. Essa é uma ótima ocasião para dar a conhecer o que de fato é fazer filosofia e seu papel na educação básica.

03 outubro 2011

Ainda me perguntam para que serve filosofia...

No Blog do Reinaldo Azevedo, colunista da VEJA, encontramos uma ótima ocasião de demonstrar porque a filosofia é necessária.

Abaixo o link para o artigo do Reinaldo (cuja grande tese é a de que o Brasil precisa mais de engenheiros e menos sociólogos e filósofos.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-brasil-precisa-de-menos-sociologos-e-filosofos-e-demais-engenheiros-que-se-expressem-com-clareza/

Agora minha resposta, que obviamente o articulista não publicou pois seria o reconhecimento das suas falácias:


O Brasil realmente precisa de mais engenheiros, mas isso não significa que precise de menos sociólogos. Esse procedimento do texto é conhecido na lógica filosófica como falso dilema(Quando sugerimos que as coisas são “A ou B” quando poderiam perfeitamente ser “A e B”). Na verdade, quanto mais engenheiros que sejam pensadores também da sociedade e da perspectiva ética de sua profissão, melhor.

19 setembro 2011

O valor da educação em MG


Reproduzo abaixo dois discursos muito bem alinhados sobre a educação pública em MG. Lembro aqui o significado de "valor". Valores não são, eles valem. Isso porque são fruto de escolha, de prioridades e, por fim, daquilo que ó considerado um "bem". O que vale a educação?





VIOLENCIA CONTRA EDUCADORES E CONTRA A EDUCAÇÃO EM MINAS
É hora de parar de olhar para o dedo e prestar atenção para onde a greve das/os professoras/res aponta.
Frei Gilvander Moreira[1]

"Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” (Bertold Brecht)

24 agosto 2011

Aristóteles e a geração "i"


No início do livro da Metafísica, de Aristóteles, encontramos a seguinte afirmação: "todos os homens desejam naturalmente conhecer". O adjunto adverbial de modo "naturalmente" significa que o desejo de conhecer está presente em todo e qualquer ser humano, independente do momento histórico, do contexto social e político. Afinal, o que é natural não se altera com o tempo.

Nossa contemporaneidade constantemente desmente o filósofo de Estagira. Em tempos de alta conectividade existe uma infinidade de informação disponível a qualquer um que saiba acessar o Google ou outro portal de busca. A facilidade de encontrar dados, aliada às novas tecnologias de busca (em sua crescente eficiência) é inversamente proporcional ao esforço realizado para compreender, refletir e julgar os mesmos textos encontrados ou ainda os problemas que motivaram tal busca.

30 agosto 2010

Filosofia nas Escolas de MG

Já tratei neste blog sobre a inclusão de Filosofia no Ensino Médio, e sobre as dificuldades de se fazer críticas ao atual governo do Estado de Minas. O fato é que apontar algumas falhas na administração estatal só tem sido possível em blogs e nas mídias alternativas. 

Não sou professor da rede pública, mas entendo que o futuro da educação passa pela melhoria do ensino público, com a devida valorização do educador e reais investimentos por parte do Governo Estadual. Aqui eu não pretendo fazer apologias a candidatos ou oposição pública. Minha intenção é apenas demonstrar uma incoerência do discurso do Governo do Estado de MG sobre a educação e as políticas educacionais da atual administração.

08 abril 2010

Por que os alunos nao entendem um texto?

Eu estava hoje coletando dados sobre umas provas de filosofia que apliquei para meus alunos. Era uma prova relativamente simples, baseada apenas em um texto e cujas questões, em sua maioria, demandavam unicamente a habilidade de ter compreendido o texto dado. Nada de saber decorado quem foi Sócrates, ou quais as 4 causas aristotélicas. Somente entender o que o autor dizia, seus conceitos e suas razões para fazer as afirmações que fez. A parcela da turma que errou ou não soube dar uma resposta satisfatória a essas questões simples foi de quase 30%.

A conclusão mais superficial que eu poderia tirar desses números remeteria ao velho problema da dificuldade dos alunos brasileiros em manejar textos. Alguns pedagogos chamam essa deficiência de analfabetismo funcional: a pessoa lê, pronuncia as palavras, mas o texto não forma um todo coerente e signicativo. O leitor não consegue saber afinal o que disse o autor, ou melhor,  não compreende o texto, sua intenção, sua contribuição, suas discussões e, muito menos, suas conclusões.

09 março 2010

O Sermão da montanha (*versão para educadores/as* )


Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.

Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens. Tomando a palavra, disse-lhes:

- “Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque eles...”

Pedro o interrompeu:

- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

11 agosto 2009

Feliz dia dos estudantes


Hoje, 11 de agosto, dia dos estudantes. Eu prefiro a palavra estudante do que a palavra aluno. Aluno significa, literalmente, sem luz. Isso parte do pressuposto que o professor é aquele iluminado que fornece a luz da ciência aos seus aprendizes, os que não sabem... O aluno é definido por aquilo que ele não é, por aquilo que lhe falta.


Estudante é outra coisa, é uma condição que não se aplica somente aos matriculados na escola, mas a todos os que desejam conhecer alguma coisa, a todos que desejam aprimorar o que já conhecem, todos os que amam o saber, todos os que desenvolvem novos saberes, todos que pesquisam, criticam, renovam o conhecimento.

Seria realmente muito triste se nossos professores não fossem também estudantes. Seria como considerar que todo o conhecimento possível já estivesse aí pronto, disponível, inalterável. Professores também têm de ler, estudar, buscar novas fontes, criticar estado do conhecimento atual. Só pode pretender ensinar, quem está disposto a aprender. Aliás, segundo o grande pensador da educação, Paulo Freire, "ninguém ensina ninguém, mas aprendemos uns com os outros".

Convenhamos, nehum de nós está pronto, a vida é uma porção limitada de tempo para realizar-mos a missão impossível de nos tornar completos. Leonardo Boff disse uma vez, em uma palestra, que somos inteiros, mas não somos completos. Mesmo que a completude seja uma promessa irrealizável, penso que é por causa desse desejo que estudamos. Porque estamos todos aprendendo a ser humanos, aprendendo a usar a liberdade que temos, aprendendo a usar as palavras certas nas horas certas, aprendendo técnicas novas, aprendendo a aprender.

Estudantes, então, somos todos nós, seres inquietos e desejantes, aprendizes e mestres da vida. A todos os estudantes, meus votos de coragem, perseverança e felicidades nas buscas.

01 julho 2009

Ensino de Filosofia



A legislação brasileira sobre educação reconhece, ainda que timidamente, a importância da Filosofia (e da Sociologia) na formação de pessoas críticas e cidadãs. No entanto, só a partir de uma lei sancionada pelo presidente Lula no ano de 2008 essas disciplinas tornaram-se obrigatórias no currículo do Ensino Médio.

Talvez por essa razão, há muita discrepância na maneira como os professores tratam o ensino de filosofia. Há, igualmente, uma imensa quantidade de livros didáticos cujos objetivos pedagógicos são muito díspares. Uns visam o ensino da História da Filosofia, outros preferem o tratamento por Temas Filosóficos. Alguns textos voltados para adolescentes beiram a auto-ajuda e poucos realmente pensam no livro como material didático para uma determinada etapa da formação do adolescente.