Mostrando postagens com marcador pré-socráticos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pré-socráticos. Mostrar todas as postagens

10 abril 2011

Mapa interativo da Filosofia Antiga

Para quem reclama (como eu, muitas vezes fiz) da falta de opções de dinamização dos conteúdos filosóficos uma ótima sugestão: Um mapa interativo. O mapa só deixou de fora as escolas filosóficas do helenismo, posteriores à morte de Aristóteles. Para a compreensão da história da filosofia antiga até o filósofo de Estagira, um bom programa interativo. Clique no mapa para ser redirecionado para o site:

28 março 2011

Hipóteses sobre o surgimento da filosofia

Em resposta à pergunta "como surgiu a filosofia?" foram propostas pelo menos três conjecturas diferentes, cada qual com sua parcela explicativa.


1) SABEDORIA ORIENTAL:


Uma primeira hipótese sugere que a filosofia na verdade não passa de um produto do saber oriental aperfeiçoado pelos gregos. Como justificativa para tal conjectura, os pensadores que a sugeriram apontaram o fato de o povo grego manter um intenso comércio marítimo com os povos orientais, partilhando dos conhecimentos já existentes no Egito, na Babilônia e até mesmo na Índia e na China. 



Essa tentativa de resposta não consegue explicar como a filosofia ocidental (iniciada na Grécia com os pensadores da Jônia) estabeleceu uma tradição desvinculada da religiosidade grega e caracterizada pela crítica constante. O saber oriental permaneceu até os dias atuais como submisso às noções religiosas (Budismo, Confucionismo, Taoísmo etc.). Alguns defensores dessa hipótese pretendiam valorizar suas tradições religiosas, colocando-as na origem da filosofia. Isso ocorreu por causa do status que a filosofia gozava na cultura greco-romana que dominou o ocidente. Justino, filósofo romano convertido ao cristianismo e assassinado no ano de 165 d.C., procurou defender o Cristianismo das acusações de ser uma religião nova, uma surperstição irracional. Na visão so mártir cristão, Platão não passava de um discípulo de Moisés e a filosofia pagã teve no ocidente o mesmo papel do Judaísmo no oriente: preparar a chegada do Cristianismo. Obviamente é uma solução questionável e pouco explicativa.

02 janeiro 2008

Heráclito de Éfeso

A característica principal dos filósofos pré-socráticos é a preocupação em responder os problemas relativos à origem de todo o universo, através da razão em oposição ao mito.

Como para os primeiros filósofos o problema filosófico por excelência era a questão cosmológica, foram chamados de físicos, naturalistas ou cosmólogos.

Também Heráclito, em quem este trabalho será estruturado, escreveu um livro intitulado “Sobre a Natureza”, do qual restam alguns fragmentos.

Heráclito nasceu em Éfeso, na Ásia Menor, entre os séculos VI e V a.C. De temperamento esquivo e desdenhoso, desprezava a multidão e os falsos sábios, criticava a tradição literária, a religião e a realidade política da cidade. Por isso, para evitar que pessoas ignorantes o procurassem, escreveu sentenças de modo obscuro e no estilo de oráculo, recebendo por essa razão o apelido de “Obscuro”. Retirando-se do meio dos homens, pôs-se a alimentar de ervas nas montanhas, mas precisou voltar à cidade para tratar de hidropsia, doença da qual morreu.

O que mais impressionou Heráclito não foi a experiência do múltiplo e sim do devir. Para ele tudo está em grande transformação: o mundo, o homem e as coisas que a cada instante vão se modificando.

“Em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo, nem substância mortal tocar duas vezes na mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança dispersa e de novo reúne, compõe-se e desiste, aproxima-se e afasta-se” (Fragmento 91).

O devir ao qual tudo está destinado caracteriza-se pela alternância de contrários, em constante guerra. Por isso dizia Heráclito: “O contrário é convergente e dos divergentes nasce a mais bela harmonia, e tudo segundo a discórdia” (Fragmento 8).

E ainda: “O combate [entre opostos] é de todas as coisas pai, de todas rei” (Fragmento 53).

Na verdade são os opostos que dão sentido uns aos outros causando harmonia. A essa harmonia Heráclito chamou princípio ou Deus Uno: “O deus é dia noite, inverno verão, guerra paz, saciedade fome; mas se alterna como fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada” (Fragmento 67).
Diógenes Laércio escreve do pensamento de Heráclito que tudo nasce do fogo e pelo fogo é consumido em períodos determinados por toda eternidade. (cf. Os Pré-Socráticos…p. 75). Deste modo podemos dizer que o fogo é o elemento que expressa as características de mudança contínua. É o que o fragmento 30 exemplifica: “Este mundo, o mesmo de todos os seres, nenhum deus, nenhum homem o fez, mas era, é e será um fogo sempre vivo, ascendendo-se em medidas e apagando-se em medidas”.

A idéia de Logos que estava somente implícita nos milesianos encontra expressão em Heráclito: “Pois uma só é a coisa sábia: possuir o conhecimento que tudo dirige através de tudo” (Fragmento 41).

E embora fosse um físico, abre uma pequena fresta para a idéia da imortalidade da alma: “Limites de almas não os encontrarias, todo caminho percorrendo; tão profundo logos ela tem” (Fragmento 45).

Podemos ainda opinar sobre a possibilidade de Heráclito ter sido influenciado pelo orfismo, por causa de alguns fragmentos que podem justificar a trasmigração das almas, porém não se pode afirmar com certeza a conexão entre sua filosofia da physys e as crenças órficas.

Por fim, as idéias presentes nos fragmentos de Heráclito perpassam gerações, continuando, no entanto, com a mesma validade. Seu pensamento foi tão importante que continuou influenciando pensadores como Hegel, que por exemplo, chega a afirmar não haver frase de Heráclito que não tenha integrado em sua lógica (cf. Pré-socráticos…p.92).
Poderíamos também associar o materialismo histórico de Marx à influência heraclitana, pois se baseia na luta de classes e na revolução dos oprimidos contra os opressores. Assim, é possível compreender a natureza das coisas e dos acontecimentos sob a ótica do devir, podendo interpretar nosso momento presente como algo que volta a acontecer bem como algo que dará lugar a um novo vir-a-ser.


Fragmentos transcritos do livro:
PRÉ-SOCRÁTICOS. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores)


Bibliografia:

MONDINI, Battista. Curso de Filosofia: os filósofos do ocidente. 4.ed. São Paulo: Paulinas, 1981. V.1.

PRÉ-SOCRÁTICOS. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores)

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulinas, 1990. (Coleção Filosofia). V.1.