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23 agosto 2013

Ensino de filosofia sob a perspectiva analítica e continental


1. A origem da distinção entre filosofia continental e analítica


             A filosofia é uma atividade teórica que se iniciou com os gregos há 2600 anos e possibilitou, através da argumentação lógica e da permanente disposição para a busca da verdade, o surgimento de várias das ciências naturais e humanas desenvolvidas no ocidente. Além de sua contribuição para o desenvolvimento científico, a filosofia também estabeleceu bases para a vida moral, para a reflexão política, religiosa e artística.
             Por sua longa história, é facilmente perceptível que tenha havido não apenas uma, mas várias filosofias tipificadas pelos “sobrenomes” recebidos de acordo sua filiação a determinada escola de pensamento: platônica, aristotélica, cética, cristã, árabe, cartesiana, kantiana, nitezscheana etc.

14 dezembro 2010

Prova Geral de Filosofia UFSJ – análise crítica

Hoje tive um tempo para olhar a prova de filosofia da UFSJ, realizada no sábado dia 11/12. Fiquei muito desapontado com as questões. Mas não surpreso... Meus alunos do cursinho do Pitágoras estão de prova que eu estranhei o novo programa do vestibular de São João Del Rei (copiado da UFMG, que por sua vez é baseado no CBC da Secretaria de Ensino de MG). O programa entrava em contradição com os livros adotados pelo concurso. A contradição está no fato de o programa privilegiar temas filosóficos e seus principais problemas. Já os livros adotados são uma pequena introdução à filosofia escrita por um historiador marxista (Caio Prado Jr.) na década de 80 e um livro didático também escrito nos anos 80 por um historiador (Gilberto Cotrim) e que privilegia o ensino de filosofia por um enfoque histórico. Só para não ser injusto, o livro do Cotrim é uma boa obra de referência, eu mesmo já o utilizei como livro didático, mas não está de acordo com o programa sugerido, que é temático.

Acima expliquei porque não me surpreendi com a prova. Agora falarei do meu desapontamento. As questões estão muito longe de medir qualquer habilidade filosófica.  Foram 5 questões, sendo a primeira metafilosófica (sobre o que é a filosofia), 3 questões que poderiam ser consideradas pela teoria do conhecimento (embora possamos considerar uma das questões como filosofia antiga) e 1 questão sobre a dialética de Hegel-Marx.
Abaixo reproduzirei cada questão e uma análise do grau de dificuldade e conhecimento exigido:

29 novembro 2010

"Filosofia não tem lógica!"?

Como professor de filosofia, várias vezes escuto algumas rejeições e resistências por parte de alunos à disciplina filosofia: "Professor, filosofia não tem lógica!". Com essa afirmação penso que os estudantes querem dizer que não veem sentido no estudo de filosofia ou que os filósofos com que acaso tiveram contato nos estudos diziam coisas tão absurdas que não deveriam ser levados em consideração.

Se os alunos afirmam isso com lucidez e convicção, então eu preciso fazer um mea culpa de não ser capaz de mostrar a solidez argumentativa de vários filósofos no tratamento de certos problemas filosóficos que ocupam  os livros didáticos do Ensino Médio. Além do mais, fica uma sensação de fracasso profissional se a disciplina que leciono não se torna minimamente interessante para os jovens e adolescentes para quem dou aulas.

Mas se os alunos falam assim por entender que a filosofia traz certa perplexidade e os filósofos têm uma estranha mania de dizer coisas não óbvias (no que concordo plenamente), então preciso discordar da afirmação de que falta lógica à filosofia. 

20 outubro 2010

O lugar da História da Filosofia

(ou: Do falso dilema entre aprender filosofia e aprender a filosofar)

Frequentemente percebemos em materiais didáticos de filosofia um uso muito distorcido da citação de Kant, segundo a qual

“(...)não é possível aprender qualquer filosofia; [...] só é possível aprender a filosofar, ou seja, exercitar o talento da razão, fazendo-a seguir os seus princípios universais em certas tentativas filosóficas já existentes, mas sempre reservando à razão o direito de investigar aqueles princípios até mesmo em suas fontes, confirmando-os ou rejeitando-os.” (KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. São Paulo: Abril Cultural, 1980. P. 407.)
Essa intuição kantiana dá margem a alguns problemas e sua avaliação superficial por parte dos pedagogos e professores de filosofia é responsável pela imensa disparidade existente entre currículos do Ensino Médio de escolas diferentes. Em termos práticos significa que uns professores preferem tratar apenas temas filosóficos  (identificando o estudo de temas com o "aprender a filosofar") outros entendem que o ensino de filosofia passa pelo produto de todos esses anos de pensamento filosófico ocidental, reunindo os principais filósofos e suas ideias em períodos cronológicos e lecionando esses blocos.  Obviamente os adeptos dos temas julgam que essa segunda maneira corresponde ao "aprender filosofia" e levaria o aluno a somente reproduzir ideias. Para nós, isso soa como um falso dilema.

30 agosto 2010

Filosofia nas Escolas de MG

Já tratei neste blog sobre a inclusão de Filosofia no Ensino Médio, e sobre as dificuldades de se fazer críticas ao atual governo do Estado de Minas. O fato é que apontar algumas falhas na administração estatal só tem sido possível em blogs e nas mídias alternativas. 

Não sou professor da rede pública, mas entendo que o futuro da educação passa pela melhoria do ensino público, com a devida valorização do educador e reais investimentos por parte do Governo Estadual. Aqui eu não pretendo fazer apologias a candidatos ou oposição pública. Minha intenção é apenas demonstrar uma incoerência do discurso do Governo do Estado de MG sobre a educação e as políticas educacionais da atual administração.

03 julho 2010

Antologia de textos filosóficos

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná tem surpreendido pela boa vontade política em democratizar o ensino. Uma primeira mostra disso foi a elaboração do livro didático público, uma obra feita em mutirão pelos professores da rede estadual paranaense. (O livro de filosofia pode ser baixado clicando aqui).

A novidade agora é que o Estado do Paraná disponibilizou uma Antologia de Textos Filosóficos, com traduções de excertos de obras de vários filósofos, precedidos por uma devida introdução. As introduções e traduções foram feitas por especialistas das universidades do sul. A antologia, que pode ser baixada aqui, é distribuída gratuitamente e pode ser utilizada livremente, desde que respeitando a sua correta citação.

Como toda antologia, o corpo disponibilizado pela Secretaria de Educação do Paraná apresenta alguns textos dos quais poderíamos perguntar se são mesmo essenciais no debate filosófico, afinal são 736 páginas! A quantidade de textos de Gramsci é um exemplo disso. A inclusão de Bornheim é explicável por ser ele um filósofo brasileiro. Sentimos também a ausência de alguns textos clássicos como a Ética a Nicômaco (Aristóteles). No mais, a escolha dos Filósofos que compuseram a antologia me pareceu acertada. 

01 julho 2009

Ensino de Filosofia



A legislação brasileira sobre educação reconhece, ainda que timidamente, a importância da Filosofia (e da Sociologia) na formação de pessoas críticas e cidadãs. No entanto, só a partir de uma lei sancionada pelo presidente Lula no ano de 2008 essas disciplinas tornaram-se obrigatórias no currículo do Ensino Médio.

Talvez por essa razão, há muita discrepância na maneira como os professores tratam o ensino de filosofia. Há, igualmente, uma imensa quantidade de livros didáticos cujos objetivos pedagógicos são muito díspares. Uns visam o ensino da História da Filosofia, outros preferem o tratamento por Temas Filosóficos. Alguns textos voltados para adolescentes beiram a auto-ajuda e poucos realmente pensam no livro como material didático para uma determinada etapa da formação do adolescente.