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11 novembro 2014

Falácias para iniciantes

Um livro eletrônico gratuito ilustrado com as falácias mais comuns acaba de ser traduzido para o português. Trata-se de "Um livro ilustrado de maus argumentos" de Ali Almossawi. A tradução é de Diego Lindner. Para quem quer aprender um pouco mais sobre lógica, retórica, argumentação e os recursos que não deveriam convencer (mas muitas vezes o fazem). O conteúdo por si só já merece atenção por expor didaticamente as falácias em que muitos incorremos na argumentação. Mas as belíssimas ilustrações e o humor das situações retratadas valem a sua leitura por professores e alunos. Pena que alguns erros de digitação tenham passado para a versão digital.

https://bookofbadarguments.com/pt-br/

07 agosto 2013

Argumentação: a ferramenta do filosofar (resenha)

A seguinte resenha foi publicada originalmente em:
OLIVEIRA, T.L.T. Argumentação: a ferramenta do filosofar (Resenha). Pense: revista mineira de filosofia e cultura. N. 4. Belo Horizonte,  julho 2013. Pp-27-28

RESENHA:
SAVIAN FILHO, Juvenal. Argumentação: a ferramenta do filosofar. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. 74pp. (Filosofias: o prazer de pensar)

Um dos maiores desafios para o professor de filosofia do Ensino Médio é, sem dúvida, o modo como deve apresentar sua disciplina para alunos que nunca tiveram contato com a dinâmica filosófica.   A maioria dos livros didáticos disponíveis no Brasil opta por dizer que a filosofia é disciplina crítica, transformadora e indispensável, que faz perguntas que outras áreas não fazem. No entanto, ao longo do material didático, o que o aluno (e também o professor) encontra são sucessões de teorias, geralmente colocadas por um critério cronológico. Os livros didáticos, mesmo o melhor deles, sofrem das mesmas carências do ensino de filosofia na educação superior: a falta de problematização das teorias e ausência de um método filosófico que estruture o saber produzido e reproduzido na academia. 
Sem uma boa definição de filosofia e sem uma clara metodologia filosófica, as teorias e textos de filósofos podem simplesmente tornar-se para o aluno um exercício enfadonho e sem sentido. Afinal, o aluno pode com razão se perguntar: “O que estou fazendo quando estudo esse texto?” ou ainda “O que o professor pretende apresentando tantos nomes e teorias?”.

03 outubro 2011

Ainda me perguntam para que serve filosofia...

No Blog do Reinaldo Azevedo, colunista da VEJA, encontramos uma ótima ocasião de demonstrar porque a filosofia é necessária.

Abaixo o link para o artigo do Reinaldo (cuja grande tese é a de que o Brasil precisa mais de engenheiros e menos sociólogos e filósofos.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-brasil-precisa-de-menos-sociologos-e-filosofos-e-demais-engenheiros-que-se-expressem-com-clareza/

Agora minha resposta, que obviamente o articulista não publicou pois seria o reconhecimento das suas falácias:


O Brasil realmente precisa de mais engenheiros, mas isso não significa que precise de menos sociólogos. Esse procedimento do texto é conhecido na lógica filosófica como falso dilema(Quando sugerimos que as coisas são “A ou B” quando poderiam perfeitamente ser “A e B”). Na verdade, quanto mais engenheiros que sejam pensadores também da sociedade e da perspectiva ética de sua profissão, melhor.

29 novembro 2010

"Filosofia não tem lógica!"?

Como professor de filosofia, várias vezes escuto algumas rejeições e resistências por parte de alunos à disciplina filosofia: "Professor, filosofia não tem lógica!". Com essa afirmação penso que os estudantes querem dizer que não veem sentido no estudo de filosofia ou que os filósofos com que acaso tiveram contato nos estudos diziam coisas tão absurdas que não deveriam ser levados em consideração.

Se os alunos afirmam isso com lucidez e convicção, então eu preciso fazer um mea culpa de não ser capaz de mostrar a solidez argumentativa de vários filósofos no tratamento de certos problemas filosóficos que ocupam  os livros didáticos do Ensino Médio. Além do mais, fica uma sensação de fracasso profissional se a disciplina que leciono não se torna minimamente interessante para os jovens e adolescentes para quem dou aulas.

Mas se os alunos falam assim por entender que a filosofia traz certa perplexidade e os filósofos têm uma estranha mania de dizer coisas não óbvias (no que concordo plenamente), então preciso discordar da afirmação de que falta lógica à filosofia.