21 junho 2010

Homenagem a Saramago

para nosso leitor, um trecho da entrevista de José Saramago publicada na revista portuguesa Expresso. 

Pensar, pensar

Junho 18, 2010 por Fundação José Saramago
Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

do site: http://caderno.josesaramago.org/

05 maio 2010

Popper, Kuhn, Lakatos e o fim do racionalismo






POPPER, KUHN, LAKATOS E O FIM DO RACIONALISMO[1]
Paul Feyerabend
Popper ecleticamente combinou (1) o pluralismo de Mill e da ciência do final do século dezenove, (2) a consideração de Mill sobre o método hipotético-dedutivo e sua ênfase nos argumentos negativos (cap. 9.13, n. 50) e (3) as objeções que alguns cientistas levantaram contra hipóteses ad hoc que são apenas repetições das objeções anteriores contra qualidades ocultas. A versão não técnica da ‘filosofia’ resultante, descrita por Popper em Conjecturas e Refutações (1962) (cf. também cap. 11.2) e que faz da crítica uma parte importante da ciência, contém observações valorosas, embora dificilmente originais sobre a origem e o crescimento do conhecimento racional. Embora exclusiva na retórica, essa versão não é exclusiva na prática: até ideias dogmáticas podem ser desenvolvidas (e frequentemente tem sido desenvolvidas) da crítica das filosofias mais abertas. ‘Tudo vale’ é uma conseqüência prática óbvia de tal ‘racionalismo crítico’ que Popper costumava introduzir ao dizer que embora fosse um professor de método científico, não podia agir de acordo, pois ‘não há método científico’. Ernst Mach ficaria muito satisfeito com essa colocação (cf. cap. 6, nn. 50-2).
Mas Popper e seus pupilos também desenvolveram e agora defendem uma versão mais técnica. Agora essa versão técnica se transformou num autêntico mal estar. A meta não é mais entender e, talvez, ajudar os cientistas; nem há alguma tentativa de checar a versão por comparação com a prática científica. A meta é desenvolver um ponto de vista especial, trazer esse ponto de vista dentro de uma forma lógica aceitável (o que envolve um considerável amontoado de poucas tecnicalidades sem sentido) e então discutir tudo em seus termos (cf. as observações de Mill sobre tais desenvolvimentos citados e discutidos no vol.1, cap.8). Não a demanda da pesquisa científica por mudança contínua, mas os requerimentos rígidos de um racionalismo abstrato decidem sobre a forma e o conteúdo dos princípios aceitos.

04 maio 2010

Artista pinta a beleza e a dor de sua nação

Recebi esse vídeo de um amigo (Joubert) e acho um crime não postar aqui. É do Ukraine's Got Talent (a versão Ucraniana do Qual é o seu talento exibido pela SBT). Vejam o trabalho desta artista (que venceu), contando a história da invasão nazista na Ucrânia de uma maneira muito especial.

28 abril 2010

FILOSOFIA CRISTÃ: as razões da fé




Patrística – período da história cristã cuja filosofia se ocupava de lançar as bases racionais do cristianismo (Séc II – VIII). Num primeiro momento, os padres[1] se ocuparam de defender a fé diante das acusações dos pagãos (foram chamados padres apologetas, cujos destaques são: Justino de Roma e Orígenes de Alexandria). O contexto histórico é de perseguição dos cristãos pelo Império Romano. Depois da fase apologética, o movimento patrístico continuou afirmando a fé cristã diante das possibilidades de heresias[2]. Depois do fim das perseguições romanas, convocavam-se concílios sempre que alguma dúvida de fé ameaçava a unidade da Igreja. A patrística foi muito influenciada pela filosofia platônica, neoplatônica e estóica. O principal nome da patrística foi o africano Santo Agostinho (354-430d.C.), já encerrando a idade antiga e iniciando a idade média. Agostinho construiu uma obra de síntese entre a fé cristã e a filosofia platônica. Deus seria identificado com a ideia de Bem, Beleza e Verdade, fonte de todas as coisas. Agostinho destacou-se pela teoria da iluminação[3], pelas refutações ao ceticismo acadêmico e ao maniqueísmo religioso[4], apresentando uma solução original para o problema do mal e do livre arbítrio. Boécio (470-525) é outro nome de destaque.

08 abril 2010

Por que os alunos nao entendem um texto?

Eu estava hoje coletando dados sobre umas provas de filosofia que apliquei para meus alunos. Era uma prova relativamente simples, baseada apenas em um texto e cujas questões, em sua maioria, demandavam unicamente a habilidade de ter compreendido o texto dado. Nada de saber decorado quem foi Sócrates, ou quais as 4 causas aristotélicas. Somente entender o que o autor dizia, seus conceitos e suas razões para fazer as afirmações que fez. A parcela da turma que errou ou não soube dar uma resposta satisfatória a essas questões simples foi de quase 30%.

A conclusão mais superficial que eu poderia tirar desses números remeteria ao velho problema da dificuldade dos alunos brasileiros em manejar textos. Alguns pedagogos chamam essa deficiência de analfabetismo funcional: a pessoa lê, pronuncia as palavras, mas o texto não forma um todo coerente e signicativo. O leitor não consegue saber afinal o que disse o autor, ou melhor,  não compreende o texto, sua intenção, sua contribuição, suas discussões e, muito menos, suas conclusões.