17 agosto 2009

Censura no Brasil

Muito se diz que a mídia é o quarto poder, e todos sabem dos grandes interesses que se sobrepõem ao direito que temos de discutir e pensar com nossos próprios neurônios.

Aqui em Minas Gerais, temos órgãos de comunicação que nunca se permitem criticar o governador do Estado. Há um grande projeto que visa favorecer a eleição de Aécio para presidente e, nossa mídia, se é que podemos chamar "nossa", segue nessa campanha permanente.

11 agosto 2009

Feliz dia dos estudantes


Hoje, 11 de agosto, dia dos estudantes. Eu prefiro a palavra estudante do que a palavra aluno. Aluno significa, literalmente, sem luz. Isso parte do pressuposto que o professor é aquele iluminado que fornece a luz da ciência aos seus aprendizes, os que não sabem... O aluno é definido por aquilo que ele não é, por aquilo que lhe falta.


Estudante é outra coisa, é uma condição que não se aplica somente aos matriculados na escola, mas a todos os que desejam conhecer alguma coisa, a todos que desejam aprimorar o que já conhecem, todos os que amam o saber, todos os que desenvolvem novos saberes, todos que pesquisam, criticam, renovam o conhecimento.

Seria realmente muito triste se nossos professores não fossem também estudantes. Seria como considerar que todo o conhecimento possível já estivesse aí pronto, disponível, inalterável. Professores também têm de ler, estudar, buscar novas fontes, criticar estado do conhecimento atual. Só pode pretender ensinar, quem está disposto a aprender. Aliás, segundo o grande pensador da educação, Paulo Freire, "ninguém ensina ninguém, mas aprendemos uns com os outros".

Convenhamos, nehum de nós está pronto, a vida é uma porção limitada de tempo para realizar-mos a missão impossível de nos tornar completos. Leonardo Boff disse uma vez, em uma palestra, que somos inteiros, mas não somos completos. Mesmo que a completude seja uma promessa irrealizável, penso que é por causa desse desejo que estudamos. Porque estamos todos aprendendo a ser humanos, aprendendo a usar a liberdade que temos, aprendendo a usar as palavras certas nas horas certas, aprendendo técnicas novas, aprendendo a aprender.

Estudantes, então, somos todos nós, seres inquietos e desejantes, aprendizes e mestres da vida. A todos os estudantes, meus votos de coragem, perseverança e felicidades nas buscas.

09 julho 2009

Sobre a felicidade e o sentido da vida


Recentemente trabalhei a filosofia de Aristóteles e, em seguida a filosofia do helenismo com meus alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus. Uma das temáticas que salta aos olhos é a discussão sobre a Felicidade (eudaimonia). O que é e como alcançá-la?

Sei que esse tema prende a atenção e tenho visto como há repercussão das discussões levantadas pelos textos e aulas. Então gostaria de deixar um presente de férias para meus alunos e leitores.

O primeiro é a tradução portuguesa (feita por Desidério Murcho) da carta de Epicuro a Meneceu, sobre a felicidade:

O segundo texto é um artigo intitulado Sísifo e o sentido da vida (ver a imagem), cuja autoria é também de Desidério Murcho:

Espero que nesse período de julho esses textos ajudem a aprofundar o tema FELICIDADE e que, sobretudo, proporcionem ao leitor a aportunidade de buscar a sabedoria, razão de ser da filosofia.

01 julho 2009

Ensino de Filosofia



A legislação brasileira sobre educação reconhece, ainda que timidamente, a importância da Filosofia (e da Sociologia) na formação de pessoas críticas e cidadãs. No entanto, só a partir de uma lei sancionada pelo presidente Lula no ano de 2008 essas disciplinas tornaram-se obrigatórias no currículo do Ensino Médio.

Talvez por essa razão, há muita discrepância na maneira como os professores tratam o ensino de filosofia. Há, igualmente, uma imensa quantidade de livros didáticos cujos objetivos pedagógicos são muito díspares. Uns visam o ensino da História da Filosofia, outros preferem o tratamento por Temas Filosóficos. Alguns textos voltados para adolescentes beiram a auto-ajuda e poucos realmente pensam no livro como material didático para uma determinada etapa da formação do adolescente.

27 abril 2009

Ciência determinista e liberdade moral



Uma das grandes indagações filósóficas é o debate entre indeterminismo e determinismo, ou seja, se há possibilidade da liberdade ou todos os eventos do mundo estão determinados.

Provavelmente o argumento mais forte a favor do determinismo venha da possibilidade de previsão de eventos pela ciência. O sucesso da física de Newton e das leis de Kepler ajudaram a reforçar a ideia de que todos os eventos (e por sua vez todas as ações) têm uma explicação científica. Mais do que isso, a ciência tornou-se a arte de prever acontecimentos: a velocidade da queda de um corpo, o próximo eclipse solar, o resultado de uma reação química.

Cria-se, com a aceitação da previsibilidade dos eventos pela ciência, o problema da existência da liberdade no campo moral. Somos realmente livres ou nossas ações podem ser previstas da mesma forma que as órbitas dos planetas. Ou ainda, caso nosso conhecimento sobre o comportamento humano torne-se tão vasto quanto nosso conhecimento sobre as leis da física, seremos tão previsíveis quanto a queda de um corpo devido à força da gravidade?

Vale a pena, nesse sentido, conhecer a obra do filósofo da ciência Karl Popper, intitulada "O universo aberto". Nela (que na verdade é o volume II do posfácio à sua famosa "Lógica da descoberta científica") o autor discute o principal argumento a favor do determinismo: o determinismo científico. De modo muito interessante Popper defende a ideia de que, ao contrário do que imaginamos, a ciência não é determinista. O filósofo mostra, assim, a fragilidade do determinismo científico e, portanto, que o principal argumento determinista é falho.

Num artigo escrito em coautoria com meu colega do mestrado, Ronaldo Pimentel, as ideias centrais de Popper são expostas. O texto encontra-se no site: http://www.consciencia.org/argumentos-popperianos-$em-favor-do-indeterminismo-cientifico